sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os Desafios da Apologética Contemporânea

Os Desafios da Apologética Contemporânea
Nos dias atuais há uma necessidade urgente de líderes cristãos que estejam comprometidos com o discernimento da verdade, à defesa da fé e à proteção do rebanho de Deus. Essa obra nem sempre é fácil, nem agradável, mas é sempre necessária. Os cristãos devem identificar e fazer oposição ao erro doutrinário e espiritual por uma razão principal: porque Deus nos comissiona para esta obra. Já no primeiro século, na época do Novo Testamento, o Corpo de Cristo foi atacado por seitas e falsos mestres, e as epístolas nos dão repetidos avisos acerca de impostores espirituais. A epístola de Judas, nos versículos 3 e 4, exorta-nos a batalhar diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos, pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação. A fé cristã já tinha seus inimigos.
O apóstolo Paulo, em Atos 20.28-31, avisou aos bispos de Éfeso que os inimigos do evangelho surgiriam tanto de fora da Igreja – “entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” - quanto até mesmo de dentro dela – “dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles”. Na segunda epístola aos Coríntios, Paulo menciona que a Igreja não é invulnerável ao erro (11.3-4; 13-15). Igualmente Pedro, em sua segunda epístola, exorta seus leitores a se acautelarem, pois falsos mestres, introduzindo heresias destruidoras, surgiriam no seu meio (2.1-22; 3.15-17).
Embora o termo tenha sido ultimamente popularizado por várias instituições de pesquisas religiosas, ainda assim a conceituação correta permanece restrita apenas aos círculos acadêmicos teológicos. Faz-se necessário resgatar o seu verdadeiro sentido, para uma correta conceituação. O que é apologética? Para que serve? Onde empregá-la? Antes de adentrarmos à definição propriamente dita, precisamos averiguar o que NÃO significa apologética.[1]
  1. Apologética não é a crítica pela crítica.
  2. Apologética não é intolerância religiosa.
  3. Apologia não é ataque puro e simples.
Portanto, vamos a Etimologia: A palavra apologética vem da palavra grega apologeisthai, que significa “uma defesa verbal.” É usada oito vezes no Novo Testamento: At. 22.1;25.8; 25.16; ICo. 9.3; IICo. 7.11; Fp. 1.7,16; II Tm. 4.16.
Por sua vez, o dicionário “Aurélio século XXI”, define apologia como: “Discurso para justificar, defender ou louvar.” Essa palavra aparece em I Pedro 3.15 com o sentido de dar razão, responder, justificar: “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Apologética é a defesa do Cristianismo em sua inteireza, sua essência, ou, de uma forma ou outra é a defesa de seus elementos de pressuposições contra seus usurpadores, atuais ou possíveis, de forma a se defender de algum ataque em particular.
Apologia significa resposta ou pergunta ao juiz de um tribunal, da parte do acusado. A apologia de Sócrates, por exemplo, respondia aos que o acusavam. Da mesma maneira, o cristianismo teve que se expressar em forma de respostas a certas acusações particulares. Os apologistas foram os que se entregaram a essa tarefa sistematicamente.[2] Enquanto a apologia trata-se de simplesmente justificar ou defender a fé, a apologética ultrapassa este senso comum e procura por meio de processos racionais e sistemáticos, apoiada em outras ciências, defender cientificamente o Cristianismo. A Apologética perpassa por diversas áreas tais como: teologia, filosofia, biologia, arqueologia, história, antropologia, matemática e linguística. Nestas áreas ela pode estudar lógica, manuscritos, línguas originais da Bíblia, teoria da evolução etc. A apologética é processual e sempre está em via de transformações e aperfeiçoamentos. Como Conceito: É a habilidade de responder fundamentado com provas adequadas e sólidas à fé cristã perante os ataques das filosofias seculares e crenças religiosas.
O cristianismo é uma religião exclusivista e como tal é inevitável que surja conflitos com as demais crenças, filosofias e ideologias. Neste choque de crenças a apologética se torna indispensável ao cristão. Ela nasce forçosamente como uma resposta ao ataque contra o Cristianismo. William L. Craig afirma que a Apologética cristã pode ser definida como um ramo da teologia Cristã que procura apresentar uma garantia racional das alegações de verdade do Cristianismo.
A Apologética atinge dois públicos básicos, o crente e o não crente. E se divide em dois tipos de abordagens, negativo e positivo.
  1. a) Quanto ao crente. A apologética contribui para o fortalecimento dos crentes de pelo menos dois modos. Em primeiro lugar, lhes dá confiança de que a fé deles é verdadeira e razoável promovendo assim um encorajamento para uma vida de fé sempre em busca da compreensão. Em segundo lugar, a apologética pode atuar até mesmo em algumas estruturas seculares que envolvem nossas próprias vidas, nos auxiliando a enfrentar as diversas indagações a que tais estruturas nos submetem bem como nos libertando para uma cosmovisão compatível com o cristianismo. A apologética procura consolidar a fé do crente fundamentando suas convicções religiosas mediante a explanação lógica e sólida, tranquilizando sua consciência, iluminando seu coração e limpando sua mente. É a dimensão pastoral da apologética.
  2. b) Quanto ao não crente. Nesta categoria estão incluídos os vários tipos de sujeitos que rejeitam a fé cristã de uma forma ou de outra: os indiferentes, os incrédulos, os agnósticos, os ateus e os anticristãos. Para esta categoria, a apologética serve como instrumento de convencimento e demonstração. Evidenciando as razões lógicas do sistema doutrinário cristão, tanto sua coesão interna bem como as evidências externas, levando-os à reflexão do Cristianismo como única religião revelada. Tais evidências servem para convencê-los da inutilidade de seu raciocínio materialista, da falácia de sua lógica humanista e do logro de sua incredulidade, levando seus pensamentos cativos à obediência de Cristo. A apologética pode ajudar a remover os obstáculos da fé e assim ajudar os incrédulos a abraçar o evangelho. Certamente que nesta atividade o próprio Espírito Santo está envolvido nos ajudando a empregar tais evidências para o convencimento da proclamação do evangelho atraindo assim muitas almas para Cristo.
  3. a)Apologética negativa. Segundo sua concepção do assunto, na apologética negativa, o objetivo principal é produzir respostas aos inúmeros desafios da fé religiosa, ou seja, esta vertente apologética visa remover os obstáculos enfrentados pela convicção de nossa crença. Nesta abordagem estratégica o apologista recebeu argumentos ofensivos à sua convicção religiosa e, por conseguinte, expõe argumentos defensivos.
  4. b) Apologética positiva.Na apologética positiva, o apologista tem a iniciativa e apresenta argumentos contundentes que amparam sua convicção religiosa e conseqüentemente (às vezes até involuntariamente) se opõe às demais convicções de fé. Nesta abordagem estratégica o apologista trabalha demonstrando evidências que comprovam a sua crença e, ao contrário, da abordagem negativa, não depende de um ponto doutrinário pré-estabelecido para iniciar sua tarefa. Observamos, portanto, duas atitudes comportamentais distintas, embora convergentes ao mesmo objetivo.[3]
Embasamento bíblico
Apologética não é uma opção deixada ao crente para que decida, sem qualquer implicação, se quer ou não realizá-la. Igualmente, também não é uma recente característica ou tendência da fé cristã contemporânea. Mais propriamente, a apologética figura como um elemento essencial da Bíblia. Cerca de 90% de todo o Novo Testamento foi escrito com finalidade apologética. Grande parte das epístolas aludem a questões que perpassam à essa temática. Há vários versículos no Novo Testamento que permitem um correto embasamento bíblico para o ministério apologético. São eles:
“Antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe. 3.15)
“…estes por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho” (Fp. 1.16)
“Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (Jd. 1.3)
“…retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tt. 1.9)
Um Contraponto – O Testemunho Do Espírito Santo
Embora seja verdade que a apologética é indispensável a um ministério cristão bem sucedido há, no entanto, de ser esclarecido que a apologética se torna desnecessária para que a fé cristã seja garantida. Quanto a isso o filósofo cristão Willian Craig nos adverte que:
Os argumentos e evidências apologéticas não são necessários para que a crença cristã seja garantida para qualquer pessoa. A fé em Cristo pode ser imediatamente fundamentada no testemunho interior do Espírito Santo (Rm. 8.14-16; 1 Jo. 2.27). Se o testemunho do Espírito Santo na vida de uma pessoa é suficientemente poderoso (como deve ser), então isso irá simplesmente se sobrepor à qualquer objeções dirigidas à crença Cristã, dessa forma removendo a necessidade de apologética defensiva. Um crente não instruído o suficiente para refutar argumentos anti-Cristãos está garantido em sua crença se baseando apenas no testemunho interno do Espírito mesmo quando confrontado com tais objeções não refutadas. Mesmo quando uma pessoa é confrontada com o que é, para ela, objeções irrespondíveis ao teísmo Cristão ela ainda assim, devido à obra do Espírito Santo, está dentro de seus direitos epistêmicos – digo mais, sob obrigação epistêmica – de crer em Deus. Visto que crenças pautadas no testemunho objetivo e verídico do Espírito são parte das invalidáveis considerações da razão, a fé do crente é garantida mesmo se não tiver nenhuma noção de argumentos apologéticos (como é o caso da maioria dos Cristãos hoje e da história da Igreja).
Francis Schaeffer vai mais adiante e argumenta que a apologética não deve ser usada como um conjunto de regras fixas e impessoais, mas que a explanação da fé deve estar sujeita à direção do Espírito Santo e à consciência da individualidade de cada pessoa.
Mas não se segue daí que a apologética Cristã seja, portanto, inútil ou não tenha nenhum beneficio em garantir a fé Cristã.
O Dr. John Warwick Montgomery, apologeta cristão de grande proeminência, destaca que a apologética não pode substituir a fé e muito menos suplantar a ação do Espírito Santo, entretanto, ela atua como um instrumento indispensável que elucida as verdades bíblicas, ajudando a preservá-las. Ao mesmo tempo em que a Bíblia nos ordena a pregar a palavra a tempo e fora de tempo, também nos ensina a redarguir, repreender e exortar com toda longanimidade e doutrina (IITm 4.2). E por que devemos proceder assim? O versículo seguinte responde: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (IITm 4.3).
Tipos de Apologética
Há uma variedade de estilos e escolas de apologética Cristã. Os principais tipos de apologética Cristã que abordaremos incluem: apologética evidencialista, apologética pressuposicional, apologética clássica, apologética histórica e apologética experimental. Fora estas ainda temos apologética filosófica, apologética profética, apologética doutrinal, apologética bíblica, apologética moral, e apologética científica. Vejamos as principais:
Apologética clássica – este tipo de abordagem trabalha com o principal pressuposto teológico, isto é, a existência de Deus. É essa linha apologética que vai explorar os argumentos comprobatórios da existência divina. Os principais argumentos são:
a.) Cosmológico: uma vez que cada coisa existente no Universo, deve ter uma causa, deve haver um Deus, que é a última causa de tudo.
b.) Teleológico: existe um objetivo, um propósito para a criação do Universo e do ser humano.
c.) Ontológico: Deus é maior do que todos os seres concebidos porque existe na mente do homem um conhecimento básico da existência de Deus. Os teólogos que se destacaram como apologistas clássicos foram: Agostinho, Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino.
Apologética evidencial – Como já podemos inferir do próprio nome, esta linha apologética procura defender as doutrinas teológicas ressaltando as evidências que as envolvem, tais como: a infalibilidade da Bíblia, a veracidade da divindade de Cristo e sua ressurreição, entre outras. Um estudioso que representa bem esta classe de apologistas em nossos dias é Josh McDowell, autor do livro (um best seller) Evidências que exigem um veredicto.
Apologética histórica – Esta classe de apologética enfatiza as evidências históricas. Seus representantes acreditam que a existência de Deus pode ser provada com base apenas na evidência histórica, porém, isso não significa que não utilizem outros argumentos. Geralmente, o fundamento deste tipo de abordagem são os documentos do Novo Testamento e a confiabilidade de suas testemunhas. Podemos encontrar teólogos expoentes da apologética histórica nos primórdios da igreja, como Justino Mártir e Tertuliano.
Apologética experimental – Este tipo de apologética, geralmente, é apresentada por fiéis que arrogam para si experiências religiosas pessoais e, às vezes, exclusivas. Assim, alguns apologistas rejeitam este tipo de abordagem por seu caráter excessivamente místico e alegam que tais experiências são comprobatórias apenas para os que nelas crêem ou delas compartilham. Em suma, a apologética experimental se apóia na experiência cristã como evidência do cristianismo e está relacionada à teologia do leigo; ou seja, à teologia que não é acadêmica, mas popular.
Um ponto negativo desta abordagem é que ela se apresenta de forma um tanto quanto subjetiva. Ou seja, é difícil sentenciá-la como verdade ou fraude. O seu ponto positivo, porém, é que a nossa crença precisa, de fato, ser vivida, experimentada, do contrário não passará de teoria.
Apologética pressuposicional – Esta abordagem é chamada assim porque parte de uma pressuposição para construir sua defesa… O pressuposicionalismo pode ser assim classificado:
a.) Revelacional: todo o entendimento da verdade parte da pressuposição da revelação de Deus e da legitimidade da Bíblia em expor esta revelação.
b.) Racional: a pressuposição básica gira em torno da coerência do argumento. Se o cristianismo arroga para si a posição de única verdade, então isso implica em dizer e provar que todos os demais sistemas são falsos.
c.) Prático: a pressuposição aqui é a de que somente as verdades cristãs podem ser vividas.
Os teólogos que se destacaram como apologistas pressuposicionalistas foram: Cornelius Van Till e John Carnell.
Dentro do contexto da Apologética Contemporânea e tendo em vista a necessidade dos nossos jovens nas universidades, existem alguns argumentos e evidências que são importantes a favor da existência de Deus. Vamos a eles.
Argumento Cosmológico – Deus provê a melhor explicação para a origem do universo.
O argumento cosmológico vem em uma variedade de formas. Mas aqui iremos abordar dois tipos, o argumento cosmológico da contingência e o argumento cosmológico Kalam. O argumento cosmológico da contingência é simples e famoso e é apresentado da seguinte forma: 1 – Tudo o que existe tem uma explicação de sua existência, ou na necessidade de sua própria natureza ou em uma causa externa; 2 – Se o universo tem uma explicação de sua própria existência, essa explicação é Deus; 3 – O universo existe; 4 – Portanto, o universo tem uma explicação de sua existência (de 1 e 3); 5 – Portanto, a explicação da existência do universo é Deus (de 2 e 4). (CRAIG, 2010).
Considere a primeira premissa. De acordo com a premissa 1 existem dois tipos de coisas: que existem necessariamente e coisas que são produzidas por uma causa externa. Aquilo que existe necessariamente existem por sua própria natureza. É impossível a elas não existir. Elas não são causadas por outra coisa, elas existem necessariamente. Por contraste, as coisas que são trazidas a existência por alguma coisa não existem necessariamente. Elas existem contingencialmente. Elas existem porque algo as produziu. Objetos físicos, pessoas, planetas e galáxias pertencem a esta categoria. A premissa 1 afirma que todas as coisas que existem podem ser explicadas de uma dessas duas formas.
E a premissa 2? Embora a premissa 2 possa parecer um pouco controversa, o que é realmente estranho para o ateu é que a premissa 2 é logicamente equivalente a resposta típica do ateu ao argumento da contingência. Mas pense, duas afirmações são logicamente equivalentes, se é impossível para uma ser verdade e a outra falsa. Elas permanecem ou caem juntas. Os ateus sempre atacam a premissa 2 da seguinte maneira: (A) Se o ateísmo é verdade, o universo não tem nenhuma explicação de sua existência; (Porém, na explicação do ateísmo, o universo é a realidade última e existe apenas como um fato bruto. Mas isso é logicamente equivalente a dizer o que está a seguir) (B) Se o universo tem uma explicação de sua existência, então o ateísmo é falso. Você não pode afirmar (A) e negar (B). Mas (B) é virtualmente sinônimo com a premissa 2 (pode comparar as duas). Então dizendo que, dado o ateísmo, o universo não tem nenhuma explicação, o ateu está implicitamente admitindo a premissa 2: se o universo tem uma explicação, então Deus existe. Somando a isso, pense sobre o que o universo é: toda a realidade do espaço-tempo, incluindo toda a matéria e energia. Segue-se que se o universo tem uma causa de sua existência, essa causa deve ser um ser não físico, imaterial, além do espaço-tempo. Existem apenas dois tipos de realidades que cabem nesta descrição: ou objetos abstratos como números ou uma mente incorpórea, Deus. Esse argumento prova a existência do Criador do universo que é não-causado, está fora do espaço, é atemporal, e imaterial.
O argumento cosmológico Kalam baseado no inicio do universo é uma versão diferente do argumento cosmológico. Este nome é dado em homenagem aos pensadores mulçumanos medievais (Kalam é a palavra árabe para teologia). O argumento ocorre assim: 1. Tudo o que passa a existir tem uma causa; 2. O universo passou a existir; 3. Portanto, o universo tem uma causa. Mais uma vez chegamos a conclusão de que o universo tem uma causa, então podemos analisar que propriedades essa causa deve ter e atribuir o seu significado teológico. Novamente, o argumento é logicamente rígido. Então a única questão é se as duas premissas são mais plausíveis do que sua negação. A premissa 1 obviamente parece ser verdadeira, pelo menos mais do que sua negação. Primeiro, ela está enraizada na verdade necessária que algo não pode vir sem causa do nada. Dizer que algo pode vir causado do nada é pior do que mágica. A segunda premissa pode ser apoiada tanto por argumentos filosóficos quanto por evidência científica. O argumento filosófico objetiva mostrar que não pode ter um regresso infinito dos eventos passados. Em outras palavras, a série de eventos devem ser finitas e deve ter tido um inicio. Alguns destes argumentos tentam mostrar que é impossível para um número infinito de coisas existir; portanto, um número infinito de eventos passados não pode existir. Outros tentam mostrar que uma série realmente infinita de eventos passados nunca poderia decorrer; desde que a série de eventos passados, obviamente decorridos, o número de eventos passados deve ser finito. A evidência científica para a premissa 2 está baseada na expansão do universo e nas propriedades termodinâmicas do universo. De acordo com o modelo do Big Bang da origem do universo, o espaço físico e o tempo, junto com toda a matéria e energia no universo passou a existir em um ponto no passado 13.7 bilhões de anos atrás.
O que faz o Big Bang tão maravilhoso é o que ele representa a origem do universo literalmente do nada. Como o Físico P. C. W. Davies explica, “O surgimento do universo, como discutido na ciência moderna…não é apenas uma questão de impor algum tipo de organização…sobre um estado prévio incoerente, mas literalmente o surgimento de todas as coisas físicas do nada”. Claro, coomólogos propuseram teorias alternativas através dos anos tentando evitar este inicio absoluto, entretanto nenhuma dessas teorias tem convencido a comunidade científica como mais plausível do que a teoria do Big Bang. Por exemplo, três astrofísicos famosos, Arvind Borde, Alan Guth, e Alexander Vilenkin disseram em 2003 que qualquer universo que está em um estado cósmico de expansão não pode ser eterno no passado, mas deve ter tido um começo absoluto. Ninguém mais pode se esconder atrás da possibilidade de um universo eterno, não há escapatória, eles tem que encarar o problema de um começo cósmico, disse Vilenkin. Somando-se a evidência baseada na expansão do universo, temos a evidência termodinâmica a favor do inicio do universo. A Segunda Lei da Termodinâmica prevê que em um número finito de tempo o universo entrará em atrito e se diluirá em um estado frio, negro e sem vida. Mas se o universo existiu por um tempo infinito no passado o universo deveria estar agora em uma condição desolada. Segue-se tão logicamente das duas premissas que o universo tem uma causa. O proeminente filósofo ateu Daniel Dennett concorda que o universo tem uma causa, mas ele acha que a causa do universo é o próprio universo. Isso mesmo, ele acha que o universo criou a si mesmo! (CRAIG, 2010).
Outro astrofísico, Quentin Smith, disse que se o universo foi criado, foi criado do nada, por nada e para nada! (CRAIG & SMITH, 2003). Então, quais as propriedades que a causa do universo possui? Como a causa do espaço-tempo, deve existir fora do tempo e do espaço. Esta causa transcendente deve ser imutável e imaterial porque tudo o que é atemporal deve também ser imutável e tudo o que é imutável deve ser não físico e imaterial desde que as coisas materiais estão constantemente mudando em níveis molecular e atômico. Como a primeira causa criou com planejamento e criou seres pessoais, ele deve ser uma mente incorpórea. Todas estas características são relacionadas no Deus revelado na Bíblia.
Dadas as evidências científicas que nós temos sobre o nosso universo e suas origens, e reforçado por argumentos apresentados por filósofos por séculos, é altamente provável que o universo teve um inicio absoluto. Desde que o universo, como todas as demais coisas, não poderiam meramente passado a existir sem uma causa, deve existir uma realidade transcendente além do tempo e do espaço que trouxe o universo a existência. Esta entidade deve ser enormemente poderosa. Somente uma mente transcendente e incorpórea se encaixa adequadamente com esta descrição, como vimos acima. Para piorar a questão do Evolucionismo e do Ateísmo como um todo, vamos analisar a cronologia das descobertas científicas da Origem do Universo. Até 1917, os ateus pensavam que o Universo era necessário e a matéria era eterna. Quais as implicações desses pensamentos? Se isso fosse verdade, Deus não existe. Mas em 1917, Albert Einstein formulou a sua famosa Teoria da Relatividade. Quais as implicações das descobertas de Einstein? O universo teve origem em um passado finito. Implicações? Deus existe! Ele descobriu o evento que os ateus denominaram de Big Bang. Vejamos mais ou menos como foi:[4]
1 – 1917 – Einstein formula a Teoria da Relatividade; Mas ela precisava ser confirmada por outras observações científicas. Por exemplo, para que o universo tivesse sido criado, o Universo teria que estar em expansão. O flash de luz de quando o universo surgiu deveria ser encontrado. Todas as estrelas e galáxias deveriam poder ser rastreadas até o ponto de onde elas surgiram.
2 – 1919 – O Astrônomo inglês Arthur Eddington, um ateu, fazendo um experimento durante um eclipse solar, confirma que a Teoria de Einstein era verdadeira. Ele ficou tão frustrado com a descoberta, por causa das implicações que disse: ―”Eu preferiria ter encontrado um verdadeiro buraco”.[5]
3 – 1927 – O Astrônomo holandês William de Sitter descobriu que o Universo está em expansão;[6]
4 – 1929 – O próprio Albert Einstein vai até o Observatório no Monte Wilson e vê pelo telescópio o universo em expansão. Ele ficou tão impactado com essa observação que proferiu a sua famosa frase: ―”Quero saber como Deus criou o universo”;
5 – 1965 – Os cientistas Arno Penzias e Robert Wilson dos laboratórios Bell, fazendo um experimento, descobriram uma luz avermelhada sendo captada pelas antenas. Eles subiram nos telhados, limparam os dejetos de pombos e quando voltaram, aquele brilho avermelhado vinha de todos os lados do Universo. Eles haviam “tropeçado” na maior descoberta científica do século 19. Eles descobriram a luz de quando o Universo foi criado; Quando eles foram receber o prêmio Nobel de Física, eles leram o Salmo 19.1.
6 – 1989 – A Nasa lança um satélite de 200 milhões de dólares, chamado de COBE – Cosmic Background Explorer. Tentando rastrear a semente de cada estrela e galáxia no universo.
7 – 1992 – George Smoot, líder da pesquisa com o COBE, divulgou as descobertas do satélite. Ele disse que era possível rastrear cada estrela ou galáxia até o ponto de onde eles surgiram. Ele ficou tão impactado com a descoberta, que disse: ―Se você é religioso é como estar olhando para Deus […] são marcas mecânicas da criação do universo ou impressões digitais do Criador. Detalhe, George Smoot é ateu.
Um dos principais detalhes destas descobertas científicas era que antes dessa criação, não existia exatamente nada. Nem tempo, espaço ou matéria. O que diz o livro de Gênesis 1.1? ―No principio [tempo], criou Deus os céus [espaço] e a terra [matéria].A evidência científica confirma o que a Bíblia já afirmava a milhares de anos atrás.Como as coisas são engraçadas.
Argumento Teleológico – Deus provê a melhor explicação para o ajuste fino do universo.
A física contemporânea tem estabelecido que o universo é milimetricamente ajustado para a existência de vida interativa e inteligente. Ou seja, para que vida inteligente e interativa exista, as constantes e as quantidades fundamentais da natureza devem estar em uma faixa incompreensivelmente estreita para permitir a vida. Existem três explicações rivais a este ajuste fino extraordinário: necessidade física, acaso ou design. Os dois primeiros são altamente implausíveis, dadas as constantes e quantidades fundamentais independentes das leis da natureza e as manobras desesperadas necessárias para salvar a hipótese do acaso. Isto deixa o design como a melhor explicação. David Wood afirma que existem duas versões principais do Argumento do Design: (1) o Argumento da Sintonia Fina, e (2) o Argumento da Complexidade Biológica. Os Físicos estão bem conscientes do fato de que as constantes no nosso universo parecem tão bem ajustadas para a vida. Se a força gravitacional, a força nuclear fraca, a força nuclear forte e a força eletromagnética fossem alterados mesmo levemente, os seres humanos não existiriam. Desde que não existe nenhuma explicação naturalista em porque estes valores deveriam estar exatamente corretos para a vida, a sintonia fina do cosmos fornece uma forte evidência de um projeto inteligente. Um cosmos ajustado de maneira primorosa para a vida, no entanto, não nos fornece a vida. Passos adicionais são requeridos para alcançar células vivas, organismos multicelulares, ecossistemas completos e especialmente seres conscientes, auto reflexivos. A complexidade de até mesmo o mais básico organismo vivo (deixe somente a complexidade de vida mais avançada) é evidência adicional de um projeto inteligente (apud DEMBSKI & LICONA, 2010, p. 41).
Craig afirmou, quando debateu com Flew em 1998, que durante os últimos trinta anos os cientistas têm descoberto que a existência de vida inteligente depende de um balanço delicado e complexo das condições iniciais dadas unicamente no próprio Big Bang. Nós agora sabemos que universos onde a vida é impossível são vastamente mais prováveis do que qualquer universo onde a vida é possível, como o nosso. Qual é mais provável? Bem, a resposta é que as chances de existência de um universo onde a vida é possível são tão infinitesimais quanto incompreensíveis e incalculáveis (CRAIG, apud WALLACE 2003, p. 22). Craig, quando debatia com Flew, também destacou sobre as constantes da física. Os dados que ele trás são reveladores:
Por exemplo, Stephen Hawking estimou que se a taxa de expansão do universo, um segundo após o Big Bang tivesse sido menoraté mesmo em uma parte de cem mil milhões de milhões, o universo teria entrado em colapso dentro de uma bola de fogo ardente.
P.C.W. Davies calculou que as probabilidades contra as condições iniciais serem adequadas para a formação posterior das estrelas (sem as quais os planetas não existiriam) é o número 1 seguido de um mil bilhões de bilhões de zeros no mínimo.
Frank Tipler e John Barrow também estimaram que uma mudança na força da gravidade ou na força fraca por apenas uma parte em 10100 teria impedido a permissão da vida no universo.
Existem cerca de 50 quantidades e constantes como estas, presentes no Big Bang que deveriam ser finamente sintonizadas para que a vida fosse possível no universo. E não é somente cada quantidade que deve ser finamente ajustada. As proporções delas ligadas umas com as outras também devem ser extraordinariamente ajustadas (CRAIG, apud WALLACE 2003, p. 24).
Estes dados são incrivelmente relevantes e apontam, sem sombra de dúvidas, para o Designer do Universo. Como afirmou o biólogo Jonathan Wells “Como todas as outras teorias científicas, a evolução Darwiniana deve ser continuamente comparada com a evidência. […] Se ela não se encaixa com a evidência, ela deve ser reavaliada ou abandonada – do contrário isso não é ciência, mas mito” (STROBEL, 2004, p. 277.). Strobel escreveu, “Para abraçar o Darwinismo, a pessoa deve crer que:
  • O nada produz tudo
  • A não vida produz vida
  • Aleatoriedade produz ajuste fino
  • Caos produz informação
  • Inconsciência produz consciência
  • Irracional produz a razão.
E ele arremata “Baseado nisto, eu fui forçado a concluir que o Darwinismo requereria um salto cego de fé, coisa que eu não estava querendo fazer” (STROBEL, 2004, p. 277).
Argumento Moral – Deus provê a melhor explicação dos valores e obrigações morais objetivas
Mesmo os ateus reconhecem que algumas coisas, por exemplo, o Holocausto, são objetivamente más. Mas, se o ateísmo é verdadeiro, que bases existem para a objetividade dos valores morais que nós afirmamos? Evolução? Condicionamento Social? Estes fatores podem, na melhor das hipóteses, produzir em nós sentimentos subjetivos que existem valores e obrigações morais objetivas, mas eles não fazem nada para prover a base para estes sentimentos. Se a evolução humana tomou um caminho diferente, um conjunto de sentimentos morais muito diferentes pode ter evoluído. Em contraste, o próprio Deus serve como o paradigma de bondade e seus mandamentos constituem nossas obrigações morais. Assim, o teísmo provê a melhor explicação das obrigações e valores morais objetivos.
Se Deus não existe, então, valores morais objetivos não existem. Muitos teístas e ateístas concordam semelhantemente nesse ponto. Por exemplo, Russel observou:
A ética surge da pressão da comunidade sobre o individuo. O homem…nem sempre sente instintivamente os princípios que são aplicados pelo seu grupo. O grupo, ansioso que o individuo agisse em seu benefício, inventou vários dispositivos para fazer os interesses do individuo alinharem-se com os do grupo. Um desses…é a moralidade.
Michael Ruse, um filósofo da ciência na Universidade de Guelph, concorda. Ele explica:
Moralidade é uma adaptação biológica, não menos do que as mãos, os pés e os dentes…considerados como uma racionalidade justificável, um conjunto de declarações sobre alguma coisa objetiva, [ética] é ilusória. Eu aprecio quando alguém diz ‘ame seu próximo como a si mesmo’; eles acham que estão se referindo sobre e além de si mesmos…não obstante,….tal referência é verdadeiramente sem fundamento. Moralidade é apenas uma ajuda à sobrevivência e reprodução…e qualquer significado mais profundo é ilusório…
Friedrich Nietzsche, o grande ateu do século dezenove que proclamou a morte de Deus, entendeu que isso significava a destruição de todo o significado e valor da vida. Eu acho que Friedrich Nietzsche estava certo. Mas nós temos que ser muito cuidadosos aqui. A questão aqui não é: “Nós devemos crer em Deus a fim de viver vidas morais?”. Eu não estou dizendo que nós devemos. Nem essa é a questão: “Nós podemos reconhecer valores morais objetivos sem crer em Deus?”.
Eu acho que nós podemos. Ao invés, a questão é: “Se Deus não existe, valores morais objetivos existem?”.Como Russell e Ruse, eu não vejo qualquer razão para achar que na ausência de Deus, a moralidade do grupo, evoluída do homo sapiens é objetiva. Depois de tudo, se não existe nenhum Deus, então, o que há de tão especial nos seres humanos? Eles são somente subprodutos acidentais da natureza, os quais evoluíram relativamente a pouco tempo a partir de um grão de poeira infinitesimal, perdidos em algum lugar em um universo hostil e sem sentido, e condenados a perecer coletivamente e individualmente em um futuro relativamente próximo. Na visão ateísta, como vimos, algumas ações – por exemplo, estupro – podem não ser socialmente vantajosas e então, no curso do desenvolvimento humano, tornaram-se um tabu. Mas isso não prova absolutamente nada no sentido de que o estupro é realmente errado. Na visão ateísta, não há nada realmente errado no fato de você estuprar alguém. Assim, sem Deus não existe nenhum certo ou errado absoluto que se impõe em nossa consciência. Mas o problema é que valores morais absolutos existem e, no fundo, eu acho que todos nós sabemos disso (WALLACE 2003).
Segundo alguns ateus famosos, aqui estão algumas conseqüências necessárias do ateísmo.Deus não existe; não existe nada, apenas o mundo físico (Dan Barker – Protestsignatthe Washington State Capital). Os seres humanos não são nada, apenas máquinas que geraram o DNA (Richard Dawkins – The God Delusion). A moralidade está baseada em um consenso dos seres humanos (Gordon Stein – “The Great Debate: Does God Exist?”). Se isso é verdade, então seria impossível considerar as coisas como absolutos morais, leis da lógica ou a dignidade humana; três coisas que todos entendemos ser indisputáveis (CÓLON, 2010). Antes de prosseguir, é bom destacar o que significa padrões objetivos de moralidade. Craig, quando debateu com o ateu Stephen Law, trouxe uma definição do que significa o termo, ele disse: “Por valores morais objetivos, eu quero dizer os valores que são válidos e obrigatórios quer as pessoas creiam neles ou não. Muitos teístas e ateus concordam que se Deus não existe, então, os valores e as obrigações morais não são objetivas neste sentido” (CRAIG & LAW, 2011). Considere o argumento seguinte fornecido por David Wood:
  1. Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem.
  2. Valores morais objetivos existem.
  3. Portanto, Deus existe. (apud DEMBSKI & LICONA, 2010, p. 41).
Uma das pessoas que defendia que os valores eram estabelecidos unicamente pelo homem foi o filósofo humanista Paul Kurtz. Quando Craig debateu com ele com o tema Is Goodness Without God Good Enough? [a tradução livre ficaria assim: a bondade sem Deus é boa o suficiente?]. Paul Kurtz, apesar de ateu, defende os valores morais a parte de Deus e defende uma singularidade especial nos seres humanos também a parte de Deus, apesar de defender que o homem não é nada! Craig percebeu a falha do argumento dele na sua fala:
Em um livro recente, ele [Kurtz] utilmente distingue três visões em resposta a estas questões. O Teísmo mantém que os valores morais são fundamentados em Deus. O Humanismo mantém que os valores morais são fundamentados nos seres humanos. E o Nihilismo mantém que os valores morais não têm absolutamente nenhum fundamento e, portanto são, por fim, ilusórios e não comprometedores. Esta análise é instrutiva porque nos ajuda a ver que o Dr. Kurtz está engajado em uma luta em dois fronts: de um lado contra o teísta e de outro lado contra o niilista. Isto é importante porque nos ajuda a ver que o humanismo não é uma posição sem concorrentes. Isto é, se o teísta está errado, isto não quer dizer que o humanista está certo. Porque se Deus não existe, talvez o niilista esteja certo. A fim de conduzir este caso, o Dr. Kurtz deve vencer a ambos, o teísta e o niilista. Em particular, ele deve mostrar que na ausência de Deus, o niilismo não seria verdade (CRAIG, apud KING & GARCIA, 2009, p. 29).
Ora, se Deus não existe não existem valores morais objetivos. Afirmar que o homem criou regras não as torna objetivas. Afirmar que valores são produtos da evolução para a preservação da espécie não torna os valores objetivos. Todos os seres vivos tem mecanismos de defesa inatos que os leva a luta pela sobrevivência, e isso também não torna os valores objetivos. Estes mecanismos não tornam os valores no mundo animal objetivos. Se o ateu não aceita a objetividade dos valores ele terá que abraçar o Niilismo. Vamos analisar o problema do mal.
O Problema do Mal a Luz do Ateísmo
  1. Stephen Evans descreve o Problema do Mal com as seguintes palavras: “Dificuldade colocada pela existência do mal (tanto o mal moral e o mal natural) em um mundo criado por um Deus que é ao mesmo tempo completamente bom e todo-poderoso. Alguns ateus argumentam que, se tal Deus existisse, não haveria mal, uma vez que Deus iria tanto querer eliminar o mal e seria capaz de fazê-lo. Um argumento que o mal é logicamente incompatível com a realidade de Deus constitui a forma lógica ou dedutiva do problema. Um argumento que o mal faz a existência de Deus improvável ou menos provável é chamado de evidencial ou forma probabilística do problema. As respostas para o problema incluem teodicéias que tentam explicar por que Deus permite o mal, geralmente, especificando um bem maior que o mal faz possível, e defesas, que argumentam que é razoável acreditar que Deus é justificado em permitir o mal, mesmo se não sabemos quais são suas razões” (2002, p. 42). Mas o ateu tem o direito de reivindicar o problema do mal? O mal é incompatível com a existência de Deus?
Embora[7] seja comum pensar que apenas os teístas tem que explicar a existência do mal, a verdade é que cada visão de mundo tem a mesma obrigação. Religiões panteístas orientais tentam contornar o problema, negando que o mal existe. O mal é uma ilusão, eles dizem (e de acordo com eles, você também!). Os teístas dizem que mal é real e tentam explicar como o mal e Deus podem coexistir. Os ateus tendem a ficar no meio. De um lado eles estão alegando que não há bem, o mal ou a justiça, porque só as coisas materiais existem – nós somos apenas máquinas moleculares materiais “dançando ao som da música” do nosso DNA (como o próprio Dawkins colocou). Por outro lado eles estão indignados com as grandes injustiças e o mal feito por pessoas religiosas em nome de Deus [neste exemplo, os islâmicos].
Bem, os ateus não podem ter as duas coisas. Ou o mal existe ou não. Se ele não existir, então os ateus devem parar de reclamar sobre as coisas “más” que as pessoas religiosas têm feito, porque eles não têm realmente feito nada. Eles estavam apenas “dançando ao som da música” de seu DNA. Afinal de contas, se o ateísmo é verdadeiro, todos os comportamentos são apenas uma questão de preferência. Por outro lado, se o mal realmente existe, então os ateus têm um problema ainda maior. A existência do mal, na verdade, estabelece a existência de Deus. Para explicar por que, precisamos voltar para Agostinho, que intrigado com o seguinte argumento:
  1. Deus criou todas as coisas.
  2. O mal é uma coisa.
  3. Portanto, Deus criou o mal.
Como poderia um Deus bom criar o mal? Se essas duas primeiras premissas são verdadeiras, Ele criou, e este é um problema para Deus. Então, Deus não deve ser bom afinal de tudo. Mas então Agostinho percebeu que a segunda premissa não é verdadeira. Enquanto o mal é real, ele não é uma “coisa”. O mal não existe por si só. Ele só existe como uma falta ou uma deficiência em uma coisa boa.
O mal é como a ferrugem em um carro: Se você tirar toda a ferrugem do carro, você tem um carro melhor; se você tirar o carro da ferrugem, você não tem nada. Ou você poderia dizer que o mal é como um corte em seu dedo: Se tirar o corte do seu dedo, você tem um dedo melhor; se você tirar o dedo do corte, você não tem nada. Em outras palavras, o mal só faz sentido no contexto do bem. É por isso que com frequência descrevemos o mal como negações de coisas boas. Nós dizemos que alguém é imoral, injusto, desleal, desonesto, etc.
Nós poderíamos colocar desta forma: As sombras provam a luz do sol. Pode haver sol sem sombras, mas não pode haver sombras sem luz do sol. Em outras palavras, pode haver o bem sem o mal, mas não pode haver mal sem bem.
Assim, o mal não pode existir a menos que o bem exista. Mas o bem não pode existir a menos que Deus exista. Em outras palavras, não pode haver nenhum mal objetivo a não ser que haja o bem objetivo, e não pode haver nenhum bem objetivo a não ser que Deus exista. Se o mal é real – como as notícias recentes da França claramente revelam – então Deus existe. O melhor que o mal pode fazer é mostrar que há um demônio lá fora, mas não pode refutar Deus.
C.S. Lewis era um ateu que pensava que o mal refutava Deus. Mais tarde, ele percebeu que ele estava roubando de Deus, a fim de discutir com ele. Ele escreveu: “[Como ateu] meu argumento contra Deus era que o universo parecia tão cruel e injusto. Mas como eu tive essa ideia de justo e injusto? Um homem não chama uma linha torta, a menos que ele tem alguma ideia de uma linha reta. Com o que eu estava comparando este universo quando eu o chamei de injusto?” (TUREK, 2014, p. 115). Ravi Zacharias chegou a mesma conclusão com a seguinte lógica, quando conversava com um ateu:
Quando o senhor afirma que existe o mal, não está admitindo que existe o bem? Quando o senhor aceita a existência da bondade, está declarando uma lei moral com base na qual diferencia o bem do mal. Mas quando o senhor admite uma lei moral, deve reconhecer que há um legislador moral. Isso, porém, o senhor está tentando desaprovar, não provar. Pois, se não existe legislador moral, não existe lei moral. Se não existe lei moral. Se não existe lei moral, não existe o bem. Se não existe o bem, não existe o mal. Qual é então a sua pergunta? (ZACHARIAS, 1997, p. 237).
Apesar de toda discussão em torno do problema do mal no mundo entre cristãos e suas diferenças sobre o assunto, o ateu não pode ter razões justificáveis de afirmar que a existência do mal é incompatível com a existência de Deus. Não por algo dentro da doutrina cristã, mas pela própria visão de mundo ateísta.

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